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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Os primeiros tempos sem heroína

Ainda me lembro como se fosse ontem, é muito dificil esquecer os momentos mais torturantes da minha vida.
De dores, eu não sofri muito pois tinha o tramal que embora pareça algo fraco comparado com a heroína, era eficaz a remover grande parte da dor.
O pior foram os dias sem dormir, passei 15 dias inteiros acordado, e isso ainda não é nada.
Comecei a conseguir dormir 2 horas por dia passado esses 15 dias, e foi aumentando o numero de horas, mas a minha instabilidade emocional estava em um nivel extremamente grave e foi aí que eu comecei a ver que o álcool, mesmo sendo mais barato, aliviava as minhas crises emocionais.
E foi assim mesmo, todas as sextas feiras eu ía até vila pouca ter com amigos para beber uns copos (é claro que eu não ía todos os dias).
Foi aí que eu passei a ter as minhas primeiras recaídas no valium, como já tinha dito em outros artigos.
Lembro que que fui expulso do basket por aparecer lá fazendo asneira, depois de ter perdido a consciência ao misturar álcool com o medicamento para ansiedade (valium) que já era muito famoso naquelas ruas que eu frequentava.
Mas essas recaídas não foram suficientes para me levar de volta ao vicio, e sabem porque?
O meu humor com o tempo mudou, comecei a escrever e a praticar desporto 3 vezes por semana, isso ajudou-me a esquecer as drogas por momentos.
Garanto também que embora tenha tido algumas recaídas passado esse tempo, não voltei a consumir diariamente e com o tempo as recaídas deixaram de ser possíveis.
Você ao clicar na etiqueta ''memórias'' pode encontrar tudo do inicio ao fim, toda a história, todas as recaídas, tudo mesmo...
Hoje vivo um dia de cada vez, não posso dizer que venci, ainda estou na luta, e ainda possuo uma instabilidade emocional e afectiva extremamente alta que me leva a ter compulsões, mas estou sem ter recaídas desde há mais de meio ano.
Procurando uma forma de tratar o meu vicio e o meu transtorno de personalidade de forma mais profunda, estou a tentar entrar em uma comunidade terapêutica, á espera que o meu psiquiatra (que não é nada fácil) aceite a minha entrada na clínica.


Misturando opiáceos com valium

Esta é a pior forma de destruição que alguém pode adquirir com o tempo.
Quando eu fumava só heroína, fui me viciando e tomando doses superiores, até que já não fumava por aquele prazer que me dava fumar, aquele efeito de calma e paz, mas sim por compulsão.
Eu precisava de fumar cada vez mais, já não havia alivio do sofrimento no vicio mas sim aumento do sofrimento.
Foi aí que descobri o valium, um medicamento que iria revolucionar totalmente o meu modo de vida nos meses seguintes (E até mesmo passado anos sem consumo de heroína).
Agarrar-me ás misturas com valium foi a pior coisa que eu pude fazer na minha vida, a partir daí comecei a gastar menos dinheiro em heroína mas uma vez que há sempre um pagamento a mais, seja com dinheiro ou não, sempre que tomava o valium com a heroína perdia a consciência da realidade, já não vivia mais ali, já não sabia mais o que fazia, e nos dias seguintes não me lembrava de nada, mesmo que tivesse feito algo muito mau.
Para acabar com o sofrimento das ressacas mais uma vez, tive de me submeter a saír do mundo, todos os amigos que eu ainda possuía na altura que fumava apenas heroína, desapareceram em um piscar de olhos.
Perdi tudo... Esse foi o preço que eu paguei para não ter de gastar tanto dinheiro a consumir a maldita droga.
Eu já só conseguia fumar para estabilizar, e não era uma grande estabilidade, apenas beirava isso.
Esse medicamento foi me traumatizando tanto, que ainda hoje quando eu estou a ter acessos de raiva intensa, tenho vontade de o tomar (e misturado com álcool de preferência).
O valium vem fazer com que seja ainda mais dificil largar a heroína...
Juntamente com a heroína, o valium é mais um vicio potente.
Tanto o valium, como o xanax, como qualquer outro benzodiazepinico ou até mesmo anti-psicótico que seja misturado com droga ou seja tomado em excesso.

Os esquemas de um toxicodependente

Quando me tornei viciado em heroína, a ressaca obrigava-me a pensar demasiado para conseguir mais doses para consumir.
Eu inventava histórias, eu esperava pessoas em cantos escondidos para as roubar, eu fazia muita coisa, mas principalmente explorar todos os que vinham até a mim.
Naquela altura eu era uma pessoa muito conhecida na zona onde eu estava por ser não só consumidor de heroína, como também consumidor de haxixe, e essas pessoas que me conheciam, vinham até a mim com o objectivo de me pedir para lhes comprar haxixe.
Então eles davam-me 10 euros e eu dizia:
-Dá-me vinte e eu arranjo-te quantidade de 30.
Eles davam-me...
Eu fazia-os esperar por mim, dizendo que ia ao centro da cidade comprar e que voltava logo para lhes entregar a mercadoria, mas não...
Eu não comprava nada para eles, eu ia gastar esse dinheiro em heroína logo que mo davam e quando me perguntavam onde estava o dinheiro e a droga eu simplesmente dizia que a policia tinha me apanhado e ficado com a droga toda.
Essa desculpa fez com que muitos ingénuos ficassem sem o dinheiro, e sem nada para eu assim matar a minha ressaca.
Mas houve muitas coisas mais que eu fiz para conseguir o dinheiro, como já tinha dito no artigo ''Mentir, roubar, explorar, traficar'' (acho que é este o nome do artigo).
Irão ver a seguir no próximo artigo mais um esquema que a ressaca me obrigava a cometer.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Toxicodependência e manipulação

Encontrei este texto no blog ''fui drogado'' e achei interessante mostrar aqui o comentário de uma ex-toxicodependentes sobre a audácia que um toxicodependente consegue ter.
O texto como irão ver a seguir tem a ver com a manipulação, é um comentário muito pequeno mas verdadeiro.

Raros são os toxicodependentes que não percorrem este caminho, estas fases todas que são em tudo iguais em qualquer vida toxicodependente. A estrada é a mesma em qualquer cidade, em qualquer época, em qualquer pessoa. O destino é que pode variar conforme os atalhos que vamos tomando ao longo da viagem.
Realmente se cada um de nós tivesse metade da audácia e da persuasão que um toxicodepente consegue ter...Isto, atenção, numa atitude consciente e livre de droga!...Conseguiria fazer da vida um autêntico oceano de felicidade e sucesso! Um drogado consegue fazer crer aos mais incrédulos que a história que está a contar é a mais pura das verdades. Assim um bocadinho como os nossos ministros
 “

Toxicodependência, uma vida em farrapos

Toxicodependência: uma vida em farrapos

Não me considero qualificado para dissertar sobre toxicodependência. O depoimento recolhido é, apenas, uma reprodução de memória, onde se alteraram os elementos identificativos.
Uma das causas que os psicoterapeutas apontam para o jovem se iniciar no consumo de drogas psicotrópicas tem a ver com a falta de afectos, de referências, de sentido de responsabilidade e da inversão do papel pais/filho. O jovem procurará incessantemente parceiros onde a relação humana não esteja presente o que lhe dá a ilusão de independência e poder. É manipulador, amoral, egocêntrico. Mas, faltando-lhe uma ligação afectiva sustentada, um vínculo sólido, mesmo que tivesse deixado de consumir, retoma a droga, que lhe traz euforia e a ilusão de felicidade. Os afectos, sempre os afectos. E, é por isso, que abordamos este tema.
E, na toxicodependência a família desempenha um papel-chave. Já não falo das famílias disfuncionais (violência doméstica, ambiente degradado, alcoolismo, etc.), mas daquelas aparentemente normais, embora descurando o essencial – a atenção ao adolescente, o carinho sem contrapartidas, a criação de regras e responsabilidade, a preocupação pelo próprio comportamento,. Mesmo presentes, os pais são demasiadas vezes ausentes. Não se podem substituir afectos por jogos de computador ou consolas, etc. Às famílias dos toxicodependentes passam muitas vezes despercebidos os primeiros consumos e, quando dão por isso, é tarde (passaram anos, por vezes) e recusam-se a aceitar a sua própria responsabilidade. Raramente são as “más companhias”, ou a má índole do jovem, as razões do desastre.
A crise económica, com a degradação da qualidade de vida que acarreta, agravou o problema. A Escola é o local onde se supõe que se educam os jovens, mas é uma ideia errada: a educação é tarefa dos pais.
Sou muito descrente da eficácia de quaisquer políticas sobre a toxicodependência. Daí que também entenda o desânimo dos governos e não concorde com a generalização da ideia de hipocrisia. O que leva um jovem a iniciar-se nas drogas duras? Qual o seu perfil psicológico, quais as omissões familiares? Mas, não conhecia ele o percurso dos viciados? O início do consumo poderá resultar de uma imprevidência, uma simples “experiência”, durante a adolescência ou na transição da infância para a adolescência. Mas a dependência e, logo a compulsão pelo consumo da droga, é uma doença,
Apoio, todo o apoio, a quem queira libertar-se (por meio de intervenções integradas medicamentosas e psicoterapêuticas). Mesmo sem haver muitas soluções, tem de se investir, insistir, prosseguir. Com os meios disponíveis, há que alargar a rede de Instituições governamentais e privadas de Solidariedade Social, capazes, de forma séria, minorar as consequências devastadoras da toxicodependência,
O texto e as imagens que o ilustram são arrasadores. Romy não chegou a escrever qualquer livro, mas concretizou um sonho: teve uma filha. Que não pôde desfrutar porque morreu, tempo depois. De overdose. Que descanse em paz.
FM

sábado, 23 de agosto de 2014

Drogas que causam as crises de abstinência mais graves

A heroína e outros derivados do ópio, como a morfina, costumam provocar os maiores estragos quando um dependente experimenta a chamada síndrome de abstinência - um conjunto de sintomas que aparece quando a pessoa interrompe ou diminui o uso da droga. "Isso acontece porque o organismo já estava acostumado a receber a droga e reage à retirada abrupta", diz o psiquiatra Cláudio Jerônimo da Silva, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No caso da heroína, tudo indica que o mal-estar da abstinência é mais grave por causa da composição da droga, que age como sedativo no organismo. Além disso, a substância vicia muito rápido e age profundamente no sistema nervoso central, causando uma séria depressão após o uso. "Além da heroína, outras cinco drogas têm crises de abstinência com sintomas físicos claros: a nicotina, o álcool, o crack, os tranqüilizantes benzodiazepínicos, como Valium, e os barbitúricos, usados como remédios para dormir", diz o toxicologista Anthony Wong, da Universidade de São Paulo. Substâncias como a cocaína e a maconha também causam crises. A diferença é que seus sintomas não incluem reações físicas diretas, mas problemas como ansiedade, nervosismo e comportamento violento, por exemplo.
Lista sinistraTentativas de largar substâncias podem causar dores, depressão e até alucinações
HEROÍNA
A droga vicia em apenas cinco doses e apresenta as crises de abstinência mais intensas, provavelmente por causa de sua composição e de seu efeito no sistema nervoso central. Junto com o mal-estar e a inquietação, a pessoa que pára de usar heroína tem aumento de pressão, dores musculares, insônia e vômitos
COCAÍNA
A síndrome de abstinência tem três fases: primeiro vem a "fissura", a vontade de usar a droga. Depois, a pessoa passa por um estado de sonolência. Por último, aparecem os sintomas de depressão, como angústia e irritabilidade. A pessoa pode se tornar dependente a partir da quarta dose
CRACK
Também derivada da pasta de coca, a versão fumável e mais barata da cocaína causa sintomas de abstinência bastante parecidos com os da sua versão em pó. A principal diferença entre as duas substâncias é que as pedras de crack viciam ainda mais rápido, arrastando o dependente para o buraco em apenas duas ou três fumadas
ÁLCOOL
A dependência vem depois de um consumo constante por alguns anos, mas a síndrome de abstinência tem efeitos brutais. O dependente tem tremores, aumento da pressão, fica agitado e perde a clareza para avaliar as coisas. Nos casos mais graves, podem aparecer alucinações e delírios
MACONHA
A síndrome de abstinência é um pouco mais leve que a das outras drogas, mas também pode incluir sintomas graves — os principais são ansiedade, perda da capacidade de concentração, insônia e mau humor. Parte dos médicos acredita que a maconha vicia depois de dois meses de uso constante
CIGARRO
Apesar de legalizada, a nicotina — a droga-base do cigarro — tem um alto poder viciante: a dependência pode ter início se o usuário fumar dezenas de cigarros em uma semana. Quando tenta parar, a pessoa sente ansiedade, angústia e inquietação. No trabalho, são comuns as perdas de concentração e de atenção

Entrevista a mim mesmo sobre drogas

  • Com que idade começou a consumir estupefacientes?
- Não me lembro bem, comecei a consumir álcool com 13, haxixe no mesmo ano, até que aos 15 passei a morar num local onde a droga estava em qualquer lugar que eu quisesse.
  • Qual o motivo de ter começado a consumir estupefacientes?
- Como já todos sabem ao ler o meu blog, eu tenho transtorno borderline, mas antes de eu começar a consumir, o meu médico pensava ser tdah uma vez que eu tenho alguns traços de alta agitação social.
Então os medicamentos que o médico me receitava não conseguiam aliviar a minha agitação  (Não tomava os anti-psicóticos que hoje tomo.
Portanto comecei a usar álcool, haxixe e mais tarde aos 15 anos, heroína para aliviar os meus sintomas.
  • Quais foram os tipos de drogas com que começou?
- Como já disse, álcool, depois haxixe, e aos 15 entrei na heroína, mais tarde comecei a misturar ansioliticos.
  • E depois consumi-o sempre esse tipo de droga?
- Heroína eu tinha de tomar todos os dias, mas se tivesse muito dinheiro, não era só heroína que consumia mas também o haxixe e os ansioliticos misturados com a heroína
  • Qual era a sensação que tinha quando consumia drogas?
- Eu não me lembro muito bem de tudo, sei que quando consumia heroína relaxava muito e sentia-me feliz, mas quando o vicio aumentou, passei a misturar com diazepam valium e alprazolam xanax (mais o valium do que o xanax) E assim que comecei a fazer essas misturas, já não sentia relaxamento nenhum, mas sim uma perda de consciência da realidade.
  • Quais foram os sintomas que tive quando deixou de consumir?
- A minha espinal medula começou a dar sinais (Dores extremamente graves) os sintomas da minha doença aumentaram em bruto, e perdi o resto da minha tolerância a frustrações e monotonia.
  • Qual foi a reacção dos seus familiares quando souberam que consumia drogas?
- O meu pai começou a desconfiar muito mais por causa do preconceito que ele tinha com os drogados, mas passou a aceitar isso com o tempo... Filho é filho não é? A minha mãe tem um problema, e muitas vezes quando se chateia atira-me o meu passado á cara, mas é o problema dela, sempre a procurar um estressor para deitar as pessoas abaixo sempre que lhe dão os ataques de raiva.
  • Sentiu alguma rejeição da parte da população de onde vive?
- Até agora eles sempre me incentivaram a lutar cada vez mais contra esse vicio, por incrível que pareça.

  • Quando ainda consumia, alguma vez sentiu necessidade de parar?
- Quando ainda consumia não, queria sempre mais e mais.
  • Como conseguiu deixar de consumir?
- Ainda não consegui na totalidade, mas desde que a policia me pressionou a tratar-me, deixei de consumir por rotina, deixei de ser dependente e a sindrome de abstinência fisica desapareceu.
  • E depois de conseguir deixar de consumir as drogas, começou a ter outro vício?
- Sou um fumador compulsivo, agora muito mais compulsivo que antes, uma vez que mesmo antes de me viciar em drogas eu já era muito compulsivo. Ainda sinto aqueles impulsos enormes por álcool, mas heroína nunca mais.

Sindrome de abstinência

Síndrome de Abstinência

Segundo alguns dicionários, abstinência significa ação de abster, de se privar de alguma coisa. Esse ato de abster pode ser se privar de algum consumo, seja ele de comida, cigarro, drogas e outros.
O presente artigo trata da Síndrome de Abstinência de drogas. Àqueles que estão em tratamento de dependência química renunciam ao uso da substância viciante, no caso a droga. O ato de renuncia a droga pode causar sérias perturbações ao organismo dependente, desde alterações comportamentais até sensações físicas, a isso dar-se o nome de Síndrome da Abstinência.
Alguns sintomas são:
  • Sofrimento mental;
  • Sofrimento físico e
  • Mal-estar.
Os sintomas citados acima podem ocorrer em diversos graus de acordo com o vício adquirido, ou seja, de acordo com a droga causadora da dependência, que pode ser:
Os sintomas podem ser cada vez mais intensos, na medida em que o tempo de abstinência fica mais longo. O usuário pode ter convulsões, hiperatividade, tremores, insônia, alucinações visuais, táteis e auditivas, descontrole psicomotor e ansiedade.
A Síndrome pode se dividir em: SAA – Síndrome de Abstinência Aguda e a SAD – Síndrome de Abstinência Demorada. A primeira pode ocorrer na ausência do composto viciante entre 3 a 10 dias do último uso, já a segunda se difere nos sintomas, que podem ser visualizados entre a sobriedade do indivíduo ocorrendo no intervalo de meses ou até anos após o uso.
Alguns sintomas provenientes da SAD são: mente confusa, problemas de coordenação motora, problema de memória, reação emocional exagerada ou apatia e distúrbio do sono ou alteração. A SAD, portanto, é a mais severa e preocupante, pois dela pode resultar danos cerebrais importantes e até mesmo recaídas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Como é a vida de um toxicodependente?

Como eu disse em um post anteriormente, nós mentimos, roubamos, exploramos, e traficamos.
Mas tirando o quanto um toxicodependente pode apresentar uma conduta anti-social totalmente destrutiva para com as pessoas que fazem parte dela, vamos analisar o que se passa por de traz disso tudo.

Imagine você sem dinheiro, pensamentos suicidas em volta da sua cabeça, diarreias constantes, vómitos constantes, uma forte agonia muito, mas muito pior que depressão.
Você já sentiu depressão, mas depressão asério?
Ou ansiedade?
Então imagine algo 20 vezes mais forte, uma pessoa que está no limite total entre a sanidade e a loucura, que depende daquela substância para voltar ao estado quase normal.
Se estabilidade emocional dependesse de 50 euros todos os dias o que você faria?
Você trabalharia para comprar essa droga?
Impossivel, além de não conseguir dinheiro suficiente para comprar a sua dose diária, sua compulsão faria com que você gastasse o seu primeiro salário todo em um dia nessa porcaria.~
E como faria para os dias seguintes?
Melhor, como é que você iria trabalhar com uma forte instabilidade emocional?

ATENÇÃO: Este post não tem por objectivo um activismo que faça com que os toxicodependentes fujam ás suas responsabilidades e não paguem por seus crimes.
Nós temos culpa de termos escolhido a companhia da maior psicopata da história (A droga), mas o resto da culpa é toda dela, é ela que nos leva a roubar para conseguirmos a sua companhia por mais umas horas, é ela que nos faz fazer todo o tipo de coisas por ela.

Eu só quero que as pessoas recolham o seu preconceito e vejam como é a vida de um aprisionado pela droga, a sua instabilidade emocional, as suas ressacas, a sua baixa tolerância a ficar mais de 4 horas sem consumir, e tudo isso.
Percebam, nós não queremos esta vida, mas quando nos arrependemos já estamos aprisionados a ela, a nossa auto-estima diminui e vivemos de pensamentos negativos de que nunca vamos conseguir desapegarmos-nos dela...




quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Ser toxicodependente

Ser toxicodependente é como ser louco de amores por uma psicopata.
Ela te diz o que quer que tu faças por ela e tu fazes.
Ela explora-te e retira-te tudo aquilo que tu tiveres em troca da companhia dela.
Por ela tu fazes tudo, tu roubas e alguns até matam.
E quando tu sofres?
Quando tu sofres, ela não quer saber de ti, a não ser que tenhas algo para oferecer em troca do seu conforto.

Mesmo quando vocês acabam o relacionamento, tu continuas a pensar nela, continuas a querer o seu conforto e é nessas alturas que ela aparece mais carinhosa para satisfazer o teu prazer, mas atenção ela apenas será carinhosa até que tu voltes a ficar louco por ela, depois disso tudo vai voltar ao mesmo, tu vais continuar a roubar por ela, a matar por ela, tu vais ser explorado por ela constantemente, e tudo o que ganhas-te depois de a abandonares, ela vai te retirar.

O pior de tudo é que tu sabes o perigo que corres com ela, e é por isso que és obsecado , por saberes o perigo e continuares do lado dela, seres lhe submisso e aceitares todos os impostos que tens de pagar para receber o seu conforto.

E por vezes só deixas de ser obsecado por ela depois de ela ter deixado um rasto de destruição significativo na tua vida, depois de perderes todas as tuas esperanças, todos os teus amigos, todos os teus amores, toda a tua confiança e vontade de viver.

Nunca te esqueças de avaliar os riscos e saber se realmente namoras com uma psicopata.

Minha autoria...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Mentir, roubar, explorar, traficar

Desta vez, não vou falar dos meus devaneios, mas sim das maneiras que eu utilizei para conseguir a droga que eu tanto queria.
ATENÇÃO:
-Para aquelas pessoas frustradas e preconceituosas que costumam evadir os blogs de pessoas como eu com as suas filosofias ridículas, vou relatando desde já que este blog foi escrito com o objectivo de desabafar e não de ensinar ás pessoas como fazer, uma vez que nada do que eu vou escrever aqui se consegue pôr em prática sem que a pessoa esteja mesmo viciada ou já saiba tais técnicas desde sempre. Entendeu? Isto é uma coisa que são os impulsos que comandam, e quando eles entram em acção você já sabe por si mesma aplicar estas acções.

Mentir sempre foi, no meu caso, a principal opção, dizer aos pais que estou com dividas para com um colega e preciso de pagar essa divida caso contrário vou ficar com má reputação entre outras consequências.

Roubar- Quando nenhuma das opções servia para satisfazer o meu vicio, a única opção era roubar, fosse telemóveis, fosse computadores ou dinheiro, tudo o que servisse para comprar a droga.
Ainda hoje lembro com remorsos e com medo de voltar á mesma vida, quantas vezes eu precisei roubar pessoas que não tinham culpa dos meus vicios para assim os sustentar.

Explorar- Outro ato que eu pratiquei várias vezes, EXPLORAR, ou seja, manipular as pessoas de tal forma a conseguir o dinheiro delas.
Havia meninos que se interessavam muito por droga, infelizmente na meu estado muitas pessoas começam, e querem começar com idades inferiores a 15 anos.
Começam por comprar haxixe e quando se dá por elas, já são consumidoras activas de heroína e cocaína, mas principalmente heroína que é a droga que existe em maiores quantidades no distrito onde eu moro.
Muitas crianças sem noção me procuravam a mim e aos meus colegas para que lhes vendesse-mos droga, o problema é que a gente não vendia, a gente enganava as crianças, ficava com o dinheiro delas e ia-mos comprar droga para consumir-mos.
Felizmente não me posso dar ao luxo de sentir culpa por ter colocado uma criança no mau caminho com muita gente fala, já que nunca coloquei ninguém nesse caminho, ninguém mesmo...
Já era muito difícil para mim caminhar debaixo de terra., quanto mais caminhar com mais gente ao lado.

Traficar- Muitos de nós também traficava-mos, embora muita gente diga que os que vendem a droga na verdade não a consomem, isso é mentira.
Neste mundo a gente também vende para consumir, deslocamos-nos aos bairros onde a droga é muito mais barata, normalmente apanhamos o autocarro e dirigimos-nos até lá para comprar.
Quando voltamos ao nosso distrito vendemos a droga pelo preço da zona e ás vezes com alguns descontos como estratégia de marketing e lá nos tentamos safar vendendo para consumir.

E acho que não existe mais nenhuma forma que nós tenhamos utilizado para além de burlas, roubos e tráfico.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Como eu manipulava os médicos para consumir

Este post contém detalhes exactos de como eu fazia para conseguir receitas de valium e outros medicamentos sedativos que usava para misturar com álcool.
Não desejo que ninguém se aproveite do post para caír nessa tentação, uma vez que estamos a falar de drogas que, quando misturadas com outras, podem produzir um vicio muito dificil de saír.

Então é assim, eu estou em tratamento no centro de atendimento ao toxicodependente, um lugar que não passa informações absolutamente nenhumas para outros estabelecimentos de saúde, e portanto eu aproveitei-me desse fato para entrar em estabelecimentos de saúde tais como: Urgências, médico de familia e etc...

Primeiro entrei no médico de familia a dizer que me sentia muito ansioso pois o medicamento que me receitavam no cat tinha acabado e eu precisava dele urgentemente para acalmar a minha ansiedade (E realmente até que precisava), ele acabou por me dar o medicamento...
O problema aqui é que ele descobriu que o medicamento foi usado para misturar com álcool e foi aí que ele decidiu não me passar mais receitas (nem hoje que sou maior de idade ele me passa).

Mas aí eu lembrei-me:

Ele deixou de me receitar o medicamento mas não impediu os outros médicos de mo passar, nem tão pouco deixou algo escrito sobre o acontecido.

E aí entrei na consulta aberta.
Tive de escolher o fim de semana que é um dia em que o médico de familia não está , para que eles não me enviassem de volta para o meu médico e eu fosse rejeitado...
Tive de calcular tudo e então na primeira vez que lá fui comecei com a seguinte conversa fácil:

Eu estive na escola longe a semana toda e não pude me dirigir até ao meu médico durante a semana, e como estou muito ansioso sem o medicamento que ele me passava, decidi vir até aqui pedi-lo...

Os médicos simplesmente me perguntavam qual era o nome do medicamento e passavam-mo sem problemas.

Nas urgências...
Nas urgências era muito mais fácil, eu chegava lá a dizer que estava em uma crise de ansiedade e pedia ajuda para esse problema.
Eles passavam-me o novo medicamento (foi aí que eu passei a tolerar medicamentos mais fortes) e eu levava para casa.
Na semana seguinte voltava lá a dizer que não resultou, eles passavam-me outro... sempre assim

domingo, 17 de agosto de 2014

Tentando aprender a viver sem drogas



Como se aprende a viver sem drogas? Sei la ainda nem sequer na fase de aprendizagem estou, embora tenha muita vontade de o aprender.
È mesmo verdade... Eu não sei como se vive sem drogas... Sabe porque que eu continuo sem droga?
Porque sou totalmente privado, os meus pais impediram-me este tempo todo de ter dinheiro nas mãos, foi a única solução que os psiquiatras do (centro de atendimento ao toxicodependente) encontraram para tentar resolver o problema.
Só que eles não conseguiram evitar todas as recaídas sempre que eu conseguia dinheiro em algum lugar por sorte, explorando aquelas pessoas que parece que se oferecem para ser exploradas inconscientemente.
Isso eles não evitaram... Eu posso estar privado mas sempre que tenho uma oportunidade, existe uma recaída.
Eles preocuparam-se em privar-me apenas em vez de me ajudar a controlar a compulsão violenta que eu sinto.
È culpa da merda de governo quase capitalista (ou é melhor dizer mesmo ''capitalista'') de portugal em que os médicos que existem no público, não fazem porcaria nenhuma enquanto que no privado os ricos pagam uma boa quantia de dinheiro e recebem tratamento especial, são tratados em cerca de 1 ano, enquanto eu já estou há muito tempo no psiquiatra e eles não resolvem o meu problema, só me privam disto e daquilo, sempre a mesma porra de vida.
Será que eles não sentem remorsos daquilo que me fazem porra?
Eu estou revoltado, eu queria ser melhor e infelizmente não sou, não sei de quem é verdadeiramente a culpa, talvez seja minha por não conseguir aprender sozinho como muitas pessoas já conseguiram, mas , porra, eu quero mudar entendem?
Não quero ficar assim, não quero procurar porra de religião nenhuma para melhorar os meus sintomas, nem vale a pena tentar fazer uma coisa dessas, essa merda não dá certo, não acredito nisso.
As pessoas estão sempre a dar-me conselhos inúteis para eu acreditar em deus e orar todos os dias, para eu ter muita fé. Deixem essa merda para vocês, parem de espalhar isso para mim porra...
Eu quero um médico competente que me ajude a resolver esta porra de merda de vicio, esta porra de merda de raiva, é só isso que eu quero, não peço mais nada, nem vou pedir nada ao deus narcisista que vocês tanto idolatram.
Desculpem o meu exagero e a descarga de revolta, sei que disse muitas palavras que talvez não é correto dizer, mas tinha de o fazer.
Eu preciso de ajuda entendem, senão, como será a minha vida amanhã?
Serei eu um amante diário da merda da heroína, da merda do álcool, da merda do valium?
Estes governantes deveriam sentir empatia por pessoas que passam aquilo que eu passo todos os dias, porque é muito sofrimento, são muitos pensamentos suícidas, principalmente para aquelas pessoas que são borderline e tiveram passagens graves por substâncias sedativas.


sábado, 16 de agosto de 2014

Quando a droga é substituida pelo alcool

De certeza que muitos toxicodependentes já passaram por isto, uma vez que eu sou um toxicodependente de apenas 2 anos de consumo e também o passei.
Quando você entra em um programa de tratamento para a droga, ou método de substituição, ou método de abstinência a longo prazo com acompanhamento, você começa a perder aquele instinto que a leva a roubar grandes quantidades de dinheiro para consumir, vocês toxicodependentes sabem disso.
E portanto embora os impulsos sejam muito fortes, eles já não levam a pessoa a roubar pois ela, desta vez, está a experimentar viver no mundo real.
Então com as pequenas quantidades de dinheiro que elas conseguem arranjar, elas gastam o em álcool, pelo menos foi assim que aconteceu comigo, a minha compulsão por droga, levava-me a consumir álcool por este ser mais barato e mais acessível.
Eu substituí a droga pelo álcool, embora não o consuma regularmente a minha compulsão é enorme.
Além de ter sido um toxicodependente no passado, eu tenho outro problema... Sou portador de um transtorno de personalidade em que nas características aponta o abuso de substâncias.
Eu podia vir aqui escrever a minha vitória sobre as drogas o álcool e o abuso de medicamentos sem prescrição médica, mas tenho de ser honesto e dizer que ainda não consegui vencer nada disso, ainda consumo, apenas não consumo todos os dias.
Todos os dias tenho procurado tratamentos eficazes para redução dos sintomas da minha doença e da minha privação, mas não encontro.
Entrei no psiquiatra e vocês acreditam que ele só tem me receitado anti-psicóticos? Nem sequer um anti-depressivo me tem receitado ou um estabilizador de humor, e ainda por cima os anti-psicóticos que o médico me receita não fazem qualquer efeito.
Desde que deixei a buprenorfina (subtex) método de substituição da heroína, que eu quase morri de tanta agonia, a partir daí a minha compulsão aumentou demasiado e hoje, temo voltar a ser um desgraçado sem vida, que vive no submundo das drogas.

A droga , a tua amante fatal

«É como um mundo subterrâneo!
É como se vivesses no bunker de Hitler, num mundo construído debaixo dos nossos pés e o "outro" mundo tal como as pessoas o conhecem e tal como eu o conheço agora, estivesse completamente à parte. 
Nesse outro mundo onde vives estás obcecado por ela. A tua amante e deusa - a droga!
No início da vossa relação, torna-se tua amante, dá-te prazer sem pedir nada em troca, mas então torna-se egoísta e passa a ser a tua amante fatal, uma deusa que te subjuga a tudo e a todos...
Ficas com uma obsessão doentia e cega por ela, fazendo qualquer coisa para a poderes "amar" mais uma vez... A tua existência justifica-se somente por ela e fazes tudo para a teres mais uma vez...
Como uma verdadeira e clássica história de amor, até és capaz de matar e morre por ela. Mas como uma boa história de amor não existe sem traição, tu também és atraiçoado... em vez de morreres por ela, é ela que te mata...
É quase como a história de Romeu e Julieta... é a tua história! Tu matas-te lentamente por ela mas no fim do caminho, no extinguir da tua "luz" ela vive e vence!
Sobrevive para depois de ti se fazer amante de mais alguém...»