terça-feira, 26 de agosto de 2014

Borderline e toxicodependente part7

Depois disso foi andar em frente e fazer um esforço para não consumir, o problema é que a vontade era maior.
Lembro que depois das recaídas eu comecei a fumar ainda mais compulsivo e houve muitas vezes em que eu me embriaguei, mas isso naquela altura era uma coisa normal nas festas dos meus amigos, o pior era o que mais tarde estaria para voltar... (o consumo diário da medicação) (mas isso foi passado mais de meio ano).
Então em março decidi contar á minha mãe que faltei a todas as aulas durante o 2º período e já não valia de nada continuar na escola.
Então ela decidiu que não valia a pena continuar a pagar o meu passe já que não tinha utilidade nenhuma.
Fiquei em casa durante muito tempo, ainda que, de vez em quando fosse dar um passeio pela vila visitar os meus amigos, a maior parte do tempo era passada em casa.
Mais ou menos no mês de julho fui me inscrever no centro de emprego, e em Outubro entrei em um curso de multimédia onde me encontrei com antigos parceiros do consumo.
Não consumi juntamente com eles, eles também estavam em tratamento e embora fumassem uns charros, eu não fumava com eles... Não gostava muito do charro, fazia um efeito muito fraco.
Mas ao vê.los todos os dias a fumar, fiquei compulsivo e decidi criar uma história na minha cabeça para enganar o farmacêutico, também estava muito triste, apaixonado por uma rapariga que não gostava de mim e isso influenciou-me a consumir mais uma vez.
Então cheguei na farmácia e inventei a mesma história de sempre só que com mais pormenores (sofro de transtorno de ansiedade generalizada dizia eu)
Essa história colava sempre e logo de seguida eu já tinha comprado uma caixa de 60 comprimidos por apenas 2,1 Euros.
Passei a consumir esse medicamento todos os dias até acabar e foi aí que eu fui expulso da escola por passar a vida inconsciente na sala de aula.
Desde aí encontrei argumentos de que estava ansioso para convencer os meus pais a fechar os olhos ao meu consumo de medicamentos para a ansiedade e voltei a conversar com uma melhor amiga minha. (Uma rapariga que mais tarde sofreu uma agressão da minha parte)

Toxicodependência e manipulação

Encontrei este texto no blog ''fui drogado'' e achei interessante mostrar aqui o comentário de uma ex-toxicodependentes sobre a audácia que um toxicodependente consegue ter.
O texto como irão ver a seguir tem a ver com a manipulação, é um comentário muito pequeno mas verdadeiro.

Raros são os toxicodependentes que não percorrem este caminho, estas fases todas que são em tudo iguais em qualquer vida toxicodependente. A estrada é a mesma em qualquer cidade, em qualquer época, em qualquer pessoa. O destino é que pode variar conforme os atalhos que vamos tomando ao longo da viagem.
Realmente se cada um de nós tivesse metade da audácia e da persuasão que um toxicodepente consegue ter...Isto, atenção, numa atitude consciente e livre de droga!...Conseguiria fazer da vida um autêntico oceano de felicidade e sucesso! Um drogado consegue fazer crer aos mais incrédulos que a história que está a contar é a mais pura das verdades. Assim um bocadinho como os nossos ministros
 “

Toxicodependência, uma vida em farrapos

Toxicodependência: uma vida em farrapos

Não me considero qualificado para dissertar sobre toxicodependência. O depoimento recolhido é, apenas, uma reprodução de memória, onde se alteraram os elementos identificativos.
Uma das causas que os psicoterapeutas apontam para o jovem se iniciar no consumo de drogas psicotrópicas tem a ver com a falta de afectos, de referências, de sentido de responsabilidade e da inversão do papel pais/filho. O jovem procurará incessantemente parceiros onde a relação humana não esteja presente o que lhe dá a ilusão de independência e poder. É manipulador, amoral, egocêntrico. Mas, faltando-lhe uma ligação afectiva sustentada, um vínculo sólido, mesmo que tivesse deixado de consumir, retoma a droga, que lhe traz euforia e a ilusão de felicidade. Os afectos, sempre os afectos. E, é por isso, que abordamos este tema.
E, na toxicodependência a família desempenha um papel-chave. Já não falo das famílias disfuncionais (violência doméstica, ambiente degradado, alcoolismo, etc.), mas daquelas aparentemente normais, embora descurando o essencial – a atenção ao adolescente, o carinho sem contrapartidas, a criação de regras e responsabilidade, a preocupação pelo próprio comportamento,. Mesmo presentes, os pais são demasiadas vezes ausentes. Não se podem substituir afectos por jogos de computador ou consolas, etc. Às famílias dos toxicodependentes passam muitas vezes despercebidos os primeiros consumos e, quando dão por isso, é tarde (passaram anos, por vezes) e recusam-se a aceitar a sua própria responsabilidade. Raramente são as “más companhias”, ou a má índole do jovem, as razões do desastre.
A crise económica, com a degradação da qualidade de vida que acarreta, agravou o problema. A Escola é o local onde se supõe que se educam os jovens, mas é uma ideia errada: a educação é tarefa dos pais.
Sou muito descrente da eficácia de quaisquer políticas sobre a toxicodependência. Daí que também entenda o desânimo dos governos e não concorde com a generalização da ideia de hipocrisia. O que leva um jovem a iniciar-se nas drogas duras? Qual o seu perfil psicológico, quais as omissões familiares? Mas, não conhecia ele o percurso dos viciados? O início do consumo poderá resultar de uma imprevidência, uma simples “experiência”, durante a adolescência ou na transição da infância para a adolescência. Mas a dependência e, logo a compulsão pelo consumo da droga, é uma doença,
Apoio, todo o apoio, a quem queira libertar-se (por meio de intervenções integradas medicamentosas e psicoterapêuticas). Mesmo sem haver muitas soluções, tem de se investir, insistir, prosseguir. Com os meios disponíveis, há que alargar a rede de Instituições governamentais e privadas de Solidariedade Social, capazes, de forma séria, minorar as consequências devastadoras da toxicodependência,
O texto e as imagens que o ilustram são arrasadores. Romy não chegou a escrever qualquer livro, mas concretizou um sonho: teve uma filha. Que não pôde desfrutar porque morreu, tempo depois. De overdose. Que descanse em paz.
FM

Farto desta agitação

Hoje voltei ao médico, ele quase nem sequer fala nada comigo , merda de psicólogo, a única coisa que me faz é perguntar como estou, mesmo já sabendo que continua tudo na mesma merda.
Continuo extremamente agitado desde que deixei de tomar o subtex buprenorfina (droga de substituição da heroína).
Ando muito á volta de minha casa, parece coisa de louco, mas não é, esta agitação é fruto da abstinência desse medicamento, que já deixei de tomar há mais de 5 meses e ainda não mudou nada, ainda continuo agitado com pensamentos extremamente delirantes e uma vontade de morrer incrível.
Há muitos problemas em mim que eles não querem saber... O fato de eu ter dinheiro comigo e só ter vontade de o ir gastar, seja em droga ou álcool, mas neste momento a minha preferência é o álcool, por ser muito mais barato e muito mais potente que qualquer outra droga.
Hoje como saí de casa, a minha agitação aumentou, eu sinto-me desconfortável em qualquer lugar fora de casa, principalmente na cidade onde tenho de ver pessoas que não conheço de lado algum no centro de atendimento ao toxicodependente.
Tenho muita vontade de entrar na comunidade terapêutica para não ter de gastar tanto dinheiro cá fora com um psicólogo, a vida está muito dificil para mim.
O meu psiquiatra de certeza que não vai concordar com a ideia de eu entrar em uma comunidade terapêutica e vai estragar tudo, vai dizer que eu não preciso, que eu não tenho sintomas suficientes para entrar lá ( E o pior de tudo é que ele nem sequer conhece os meus sintomas direito).
Mas que se foda, se não entrar na clinica, deixo a medicação e vou beber.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Confusão mental

Estou super nervoso e ansioso...
Hoje tive oportunidade e dinheiro suficiente para ter mais uma recaída, estava pronto para pegar a camionete e ir para a zona urbana comprar umas garrafas de vinho e uns medicamentos para a ansiedade... Enfim todo o dinheiro que eu tinha na mão, eu estava preparado para gastar nessa maldita recaída.
Tenho estado muito compulsivo e em um sofrimento enorme por não conseguir controlar os meus impulsos, tenho uma vontade enorme de sentir, ou melhor, não sentir... Apagar, perder a consciência da realidade mais uma vez, ficar quase que a dormir.
Os ultimos tempos têm sido muito dificeis para mim, larguei a buprenorfina (Medicamento de substituíção de heroína) há 5 meses e ainda se nota na minha forma de agir, os estragos que isso causou, sinto-me extremamente agitado, hiperactivo, ansioso, ainda moram em mim os mesmos pensamentos delirantes que iniciaram depois da deixa abrupta do medicamento (alguns deles, uma vez que alguns pensamentos já estão na minha cabeça desde sempre).
Mas eu não fui, pela primeira vez pensei em muitas consequências que isso me pudesse trazer, por exemplo o medo de ficar viciado e ver os meus sintomas piorarem até não haver mais esperança absolutamente nenhuma de me tratar.
O medo que de que a minha agitação e os meus pensamentos paranóides aumentem ainda mais ao ponto de que nenhum medicamento me faça efeito...
Há sempre um grande medo em mim quando vejo que tive uma sorte em deixar essa dependência cedo e ter os meus pais comigo, embora me julguem de vez em quando, ter casa, coisa que eles foram perdendo com o tempo.
Por agora vou aguentando a minha compulsão com o medo, mas o amanhã é incerto.

domingo, 24 de agosto de 2014

Porque não liberam a marijuana?

Há pessoas que são totalmente contra o uso da marijuana, outras que são a favor e pedem a liberação da droga...
Eu respeito a opinião de qualquer pessoa, uma vez que cada pessoa tem direito á sua opinião sobre esta ''droga'', mas a minha opinião é muito diferente.
Em primeiro lugar há uma coisa que devem saber sobre o poder viciante da marijuana...
Para uma pessoa ficar viciada psicológicamente na marijuana precisa fumar todos os dias durante pelo menos 2 meses, não é como a heroína que em 5 consumos consegue viciar qualquer um que se arme em herói, é muito mas muito diferente.
A marijuana tem um alto poder medicinal (alto mesmo) na destruição de sintomas de doenças como a depressão, e uma vez que vicia muito menos que um alprazolam (que é legal e acessível a qualquer pessoa que possua depressão ou ansiedade) devia ser liberada para uso farmacêutico.
È normal que fica muito mais cara que qualquer outro medicamento, mas qualquer trouxo nota que tem muito menos poder destrutivo que um xanax, um valium que, ambos criam uma boa dependência e essa dependência pode aumentar imenso quando combinados com álcoól.
A marijuana não aumenta nem diminui o poder destrutivo de álcool...
O álcool é legal e tem causado muito mais mortes que a marijuana.
Porque não liberam a marijuana?

Peço desculpa pelo texto que vai ser de difícil interpretação, mas tenho muitas falhas na organização dos pensamentos e eles falham muito...

Fica então o post do dia

sábado, 23 de agosto de 2014

Drogas que causam as crises de abstinência mais graves

A heroína e outros derivados do ópio, como a morfina, costumam provocar os maiores estragos quando um dependente experimenta a chamada síndrome de abstinência - um conjunto de sintomas que aparece quando a pessoa interrompe ou diminui o uso da droga. "Isso acontece porque o organismo já estava acostumado a receber a droga e reage à retirada abrupta", diz o psiquiatra Cláudio Jerônimo da Silva, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No caso da heroína, tudo indica que o mal-estar da abstinência é mais grave por causa da composição da droga, que age como sedativo no organismo. Além disso, a substância vicia muito rápido e age profundamente no sistema nervoso central, causando uma séria depressão após o uso. "Além da heroína, outras cinco drogas têm crises de abstinência com sintomas físicos claros: a nicotina, o álcool, o crack, os tranqüilizantes benzodiazepínicos, como Valium, e os barbitúricos, usados como remédios para dormir", diz o toxicologista Anthony Wong, da Universidade de São Paulo. Substâncias como a cocaína e a maconha também causam crises. A diferença é que seus sintomas não incluem reações físicas diretas, mas problemas como ansiedade, nervosismo e comportamento violento, por exemplo.
Lista sinistraTentativas de largar substâncias podem causar dores, depressão e até alucinações
HEROÍNA
A droga vicia em apenas cinco doses e apresenta as crises de abstinência mais intensas, provavelmente por causa de sua composição e de seu efeito no sistema nervoso central. Junto com o mal-estar e a inquietação, a pessoa que pára de usar heroína tem aumento de pressão, dores musculares, insônia e vômitos
COCAÍNA
A síndrome de abstinência tem três fases: primeiro vem a "fissura", a vontade de usar a droga. Depois, a pessoa passa por um estado de sonolência. Por último, aparecem os sintomas de depressão, como angústia e irritabilidade. A pessoa pode se tornar dependente a partir da quarta dose
CRACK
Também derivada da pasta de coca, a versão fumável e mais barata da cocaína causa sintomas de abstinência bastante parecidos com os da sua versão em pó. A principal diferença entre as duas substâncias é que as pedras de crack viciam ainda mais rápido, arrastando o dependente para o buraco em apenas duas ou três fumadas
ÁLCOOL
A dependência vem depois de um consumo constante por alguns anos, mas a síndrome de abstinência tem efeitos brutais. O dependente tem tremores, aumento da pressão, fica agitado e perde a clareza para avaliar as coisas. Nos casos mais graves, podem aparecer alucinações e delírios
MACONHA
A síndrome de abstinência é um pouco mais leve que a das outras drogas, mas também pode incluir sintomas graves — os principais são ansiedade, perda da capacidade de concentração, insônia e mau humor. Parte dos médicos acredita que a maconha vicia depois de dois meses de uso constante
CIGARRO
Apesar de legalizada, a nicotina — a droga-base do cigarro — tem um alto poder viciante: a dependência pode ter início se o usuário fumar dezenas de cigarros em uma semana. Quando tenta parar, a pessoa sente ansiedade, angústia e inquietação. No trabalho, são comuns as perdas de concentração e de atenção